Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

Música + Desenho

Às vezes me ponho a pensar filosoficamente sobre diversas manifestações da arte, e como elas se relacionam. Eu, que me arrisco por alguns campos dela, acabei concluindo uma série de fatores curiosos. Eu desenho e crio histórias desde o primórdio de minha consciência, mas comecei a me aventurar pela área da música bem mais tarde. Talvez até por isso eu tenha desistido logo no início do curso superior de Piano para terminar o de Design Gráfico. Sou de fato um ilustrador (Talvez nem Designer Gráfico eu seja, se formos priorizar). Quando comecei a tocar, o fiz sozinho, autodidata e segredo. Sim, em segredo, porque eu fui (sou talvez) vítima de uma grande timidez durante boa parte do início de minha vida. Quando descobri que conseguia tocar no piano exatamente as notas que estavam ecoando em minha mente, me surpreendi com um mundo novo de possibilidades. Já não bastava mais desenhar meus personagens, criar suas histórias e produzir suas páginas de quadrinhos. Comecei imediatamente a compor trilhas para determinadas cenas, tentando fazer desse som parte de um todo. Naturalmente comecei a me interessar muito mais por desenho animado.

Depois de um tempo, já com uma destreza básica no piano resolvi aprender a tocar violão. A princípio parecia difícil, mas quando vi já saia alguma coisa mais interessante. Engraçado foi quando minha família me descobriu. Eu ia saindo de casa com o violão e minha mãe me indagou: "O que tu ta fazendo com esse violão? - Estou levando para o colégio mãe! - Mas tu não sabe tocar!!??". Só que eu já sabia. Alguns anos depois consegui um velho contrabaixo elétrico que foi do meu pai, e comecei a tocar com um conjunto em festas e missas católicas. Eu nunca sabia que música iriam tocar, as vezes nem mesmo conhecia a música, mas graças a simplicidade do baixo, e a aparente matemática existente na música eu conseguia acompanhar. Por então tratar de diferentes atuações dentro da música, meus dotes começaram a ficar treinados. Peguei, de ouvido, boa parte do primeiro movimento da Sonata ao Luar, de Bethoven, e, devido ao êxito, comecei a estudar um pouco de piano com meu tio, um excelente pianista.


Logo já sabia tocar a música inteira e outras tantas, além de melhorar muito a minha destreza. É aí que eu gostaria de fazer um cruzamento de raciocínio com as artes plásticas. Por dedicar algum tempo à música, acabei por dedicar menos tempo ao desenho. Mas nem por isso parei de evoluir meu traço e meu poder de observação. Muito pelo contrário, acho que acabei por otimizar essa percepção à além do sentido Visual. De alguma forma a arte em si é interligada, mas como??

A maneira mais fácil de exemplificar é com animação bem feita. O exemplo que se segue vai tornar desnecessário que eu escreva muito sobre isso. São dois trechos do longa metragem "O Rei Leão" da Disney. Apenas imaginem como seria essa cena sem a dramaticidade da música, ou sem a palheta cuidadosamente escolhida de cores, ou ainda sem a natureza dos movimentos e expressões finamente ilustrados. Tudo isso foi perfeitamente combinado, cada um potencializando o outro como num contraste complementar multi-sensorial.


Um dos detalhes curiosos que concluí é que Música e Desenho são dois lados de uma mesma moeda. Enquanto para desenhar, gastamos um tempo razoavelmente demorado, que exige uma construção prévia à apreciação final; na música gastamos o tempo que ela dura para produzi-la, e sua apreciação é em tempo real. A música é arte instantânea, enquanto o desenho é arte contemplativa de tempo livre. A música é uma arte extremamente extrovertida, já que, a não ser que eu toque muito baixo, quem estiver por perto vai ouvir querendo ou não. Já o desenho é uma forma de arte tímida, introvertida. Só vai ser apreciado se o autor assim o quiser. Sob o foco da arte sendo produzida, as duas são sensivelmente parecidas, pois ambas geram um prazer enorme ao serem concebidas, ambas necessitam de muito carinho, um verdadeiro ato de amor, por parte do artista para com a superfície escolhida. Que máquina fantástica é o corpo humano, capaz de utilizar seus sentidos para sentir simplesmente. É isso que nos faz diferentes do restante do reino animal, e não o "ser racional". Mesmo que de forma primitiva, os animais também raciocinam. Já, por outro lado, quando provocamos nossos sentidos pela simples razão de os provocar, é, para mim, o ato que consiste em humanidade, e é isto que chamamos de arte.

Muito mais coisas podem ser ditas sobre isso tudo, só que hoje eu paro por aqui.

Agradeço a atenção de vocês,

Um grande abraço

Eduardo Hoewell

Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

Indicação de Leitura - Computer Arts Projects Ilustração



Recebi à duas semanas meu exemplar da Computer Arts Projects Ed2 Ilustração.

Está muito interessante, tanto como ferramenta para esclarecer um pouco mais este mundo profissional aos iniciantes, como para conhecer um pouco mais o pessoal que vêm trabalhando com nossa amada categoria.

Lá encontraremos palavras de gente bem próxima ao pessoal do ilustragrupo, tais como o Kako. Até mesmo o Guia do Ilustrador e seu criador é citado.

Aquelas dicas que tanto discutimos e lemos sobre contratos, orçamentos e profissionalização; além de dicas sobre portfólio e busca de clientes.
Mesmo não tendo terminado de lê-la, recomendo a todo o pessoal por ser uma boa iniciativa editorial em nosso país.

Para quem não tem acesso a ela (e desejar ter) basta dar uma olhada no site da Editora Europa, na página específica da revista Computer Arts, lá é possível adquirir via on-line.

Fica o endereço http://www.computerarts.com.br/

Um grande abraço a Todos.

A Mágica da Caneta BIC

Boa noite a Todos,

Quem nunca desenhou nos cadernos do colégio (na hora da aula ainda por cima) que atire a primeira borracha!

Acredito que boa parte de nós aperfeiçoou alguma porcentagem de seu traço na época de escola. Sendo assim, também é correto afirmar que fizeram isso, em parte, utilizando a famosa caneta esferográfica ou BIC, para os íntimos.
Por vezes, no desenrolar de nosso desenvolvimento, esquecemos por alguns instantes de nossos tijolos iniciais e, muitas vezes, nos aprofundamos numa técnica específica ou, o mais comum hoje em dia, na arte via computador.

Não sei com vocês, mas eu aprendo muito quando pego velhos desenhos meus(eu digo velhos mesmo) e os analiso. Tento lembrar de quais eram minhas dificuldades, meu olhar sobre o mundo e o que me dava gosto tracejar em qualquer espaço branco de celulose que aparecesse na minha frente. Seguindo esse princípio, só que desta vez explorando o material que costumava usar, deixei momentaneamente de lado meus vícios gráficos para revisitar a tão próxima caneta.

Escolhi a cor preta, por gosto próprio, e comecei a rabiscar direto, sem esboços a lápis ou o que for, dinossauros, animais que povoaram minha imaginação desde que me conheço por gente.
Confesso que gostei muito de matar essa saudade, e, conseqüentemente, gostei também dos resultados que obtive. Eles se encontram neste post para dividir esta re-experiência com vocês.

Se isso tudo, pelo menos, resgatar boas lembranças do passado a vocês colegas, então pra mim já está de bom tamanho.

Obrigado pela atenção!

Um grande abraço

Segunda-feira, 24 de Março de 2008

A Nova Páscoa, Ressurreição

Última parte de minhas ilustrações sobre a páscoa...

Sexta-feira, 21 de Março de 2008

A Nova Páscoa



Já faz algum tempo que as coisas foram substituidas...

Quinta-feira, 20 de Março de 2008

Reformando minha Marca

Estava eu envolvido com a abertura de minha empresa, e pensando na atualização de meu site pessoal, quando olhei para a marca que venho usando desde que me formei, no inicio de 2004, feita ainda durante a faculdade. Nunca tinha pensado em utilizar a experiência que adquiri ao longo desses 4 anos como profissional para refazê-la. Descobri que eu estava na verdade acostumado e acomodado em relação a ela.

Comecei por avaliar a eficiência dela. Suas características “à traço” me agradavam, como ainda me agradam, e a nova marca teria de ser do mesmo jeito, afinal de contas sou um profissional do traço. A marca comportava apenas o nome Hoewell, porém minhas assinaturas pessoais, e-mail, domínio de site, blog e tudo o mais são grafados como eHoewell. Na época de faculdade que desenvolvi a dita, minha professora me questionou sobre como tentar dar uma identidade pessoal, e sugeriu que eu usasse a marca de gado de meu avô. Eu gostei da idéia, peguei o “B” de Bonini, marca do meu avô materno, rotacionei 270° e utilizei como “W” em Hoewell, meu sobrenome paterno. Desta forma seria como se eu assinasse com meus dois sobrenomes de uma só vez, e provavelmente é esse o motivo do carinho que desenvolvi pela marca.

Há alguns dias resolvi perguntar pra minha esposa o que ela via na marca até então utilizada. Ela me disse que gostava muito de tudo, achava que tinha estilo e identidade, mas também me disse “só o W que parece uma bundinha”... foi a gota d’água.

O Re-design começou na exclusão desse “W” (infelizmente a marca do meu avô usada de forma deitada parece mesmo uma bundinha). Adotei uma versão em 3 traços como faço na assinatura de meus desenhos. Em seguida apliquei o caractere “e” na frente, exatamente igual ao do corpo da marca. Não funcionou, pois ele não ganha o valor de uma letra inicial, acaba enfraquecendo a marca e desequilibrando o conjunto estético. Foi então que resolvi desprender esse 1º “e” dos outros semelhantes. Criei uma forma curva que se misturasse ao “H” que vinha em seguida. Assim resolvi 2 problemas, nº1: Equilíbrio da marca; nº2: Criação de um ponto de início de leitura; de brinde ainda ganhei a grafia econômica “eH” para usar em avatares, fotos de perfil ou lugares que não disponha de muito espaço.

No final fiquei bastante satisfeito com o resultado. Minha esposa, que é minha gerenciadora de qualidade, aprovou. Volta e meia eu olhava pra marca (estranhando um pouco devido ao tempo de uso da marca anterior) e afirmava “até que não ficou ruim, né? Acho que posso usar sem problemas...” recebendo como resposta um sinal de positivo com a cabeça.

Para concluir, tecnicamente a nova marca possui muito mais coerência, se ajustando a minhas necessidades ( o “e” na frente) e ganhando mais equilíbrio, tanto dela com o meio onde será inserida, como dela com ela própria. E se me perguntarem: sim, agora já me acostumei e estou achando ela muito melhor... (rsrsrs)

Quarta-feira, 19 de Março de 2008

Parabéns Vô... Saudades

Se eu devo parte do meu desenvolvimento dentro do desenho e da arte a alguém, este alguém é meu avô, José Dawson Hoewell. Ele foi simplesmente um pioneiro na publicidade e propaganda de minha cidade natal, Pelotas, no Rio Grande do Sul, trabalhando com letras feitas a pincel e pulso firme, manipulações fotográficas feitas diretamente no filme a ser revelado, painéis, outdoors... O caminho a que levei minha vida profissional talvez tenha muita influência dele.

Não foram poucas às vezes em que eu passava uma tarde inteira no escritório desenhando em suas folhas. Crescendo, aprendendo...

Meu avô me ensinou e me ajudou em momentos de incerteza no meu traço. Mesmo não desenhando no mesmo estilo que eu buscava, todo conselho e técnica que ele me passou foram importantes.

Ainda que não tenha lido todos os livros que ele me apresentou, em parte também é responsabilidade dele que eu tenha me interessado pela literatura e pelo fantástico mundo das idéias.

Não só na leitura, mas também na criação tive muita influência dele. Guardo comigo o original, desenhado a mão e datilografado, do livro “O Bugio e a Raposa” que meu avô escreveu para todos os seus netos. Foi a primeira vez que conheci alguém que de fato havia criado um livro. Há alguns anos atrás ele me confiou esses originais para atualizar os desenhos, colorir e diagramar com os novos recursos disponibilizados pela era do computador. Não pude executar a tarefa antes de seu falecimento, mas é uma missão que aceitei e cumprirei conforme prometi ao meu velho.

Hoje, dia de São José, a quem meus bisavós homenagearam batizando seu filho, é a data de seu aniversário. Escrevo aqui para registrar o orgulho e o carinho que sinto, juntamente com os meus parabéns, que não poderão ser entregues senão num pensamento.

Saudades,
com amor, do neto
Eduardo

Segunda-feira, 3 de Março de 2008

Construindo Referências

Há um momento, na criação de personagens, em que não nos damos mais por satisfeitos com a simples imaginação, livre esta de embasamento. Pelo menos isso acontece comigo. Faz um bom tempo que venho desenvolvendo um personagem e sua história (desde 1994, para ser mais exato) e nunca havia de fato chegado a uma conclusão para a melhor maneira de representar seu rosto, considerando as milhares de posições e expressões possíveis. Em 1998 resolvi utilizar de meu conhecimento primitivo em modelagem e escultura para auxiliar a então cansada arte do desenho. Naquela época foi o suficiente, consegui iniciar satisfatoriamente os desenhos frontais de minha criação. Eu havia modelado a cabeça da criatura iniciando por seu perfil, que era bem definido, e então ajustando as demais posições de maneira a ficarem condizentes com o contexto geral.

Obviamente que passados 10 anos algumas coisas mudam, para melhor ou para pior, e nosso amadurecimento ocorre nas diversas manifestações de nossa identidade. Recentemente tenho andado descontente com a maneira que estava desenhando meu querido personagem. Foi aí que minha esposa me ajudou, seguindo uma receita de Papel Machê, produzindo a massa e me colocando a disposição. Fiz a mesma coisa de uma exata década atrás, modelei novamente a cabeça de Canino, o Lobo. Meus conhecimentos anatômicos estão um pouco mais desenvolvidos, e isto me deu uma boa base para mais uma vez me satisfazer.

Com essa peça tridimensional eu posso fazer estudos de iluminação e sombreamento, posicionamento complexo e, por tudo isso, gerar maior coerência na minha História em Quadrinho. Agora muito mais condizente com um marmanjo de 26 anos.

Aqui vocês podem ver algumas fotografias que tirei da peça modelada, e um desenho já auxiliado por ela de Canino: Pronto para encarar o novo século! (desta vez vai ter que sair)







Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

Olho de Lobo



Existem “armadilhas” inevitáveis de se cair quando se cria alguma coisa. Para mim, é inevitável que meus poucos personagens tenham um pouco de mim mesmo em suas essências. Este é o caso de Canino, um lobo que venho polindo desde 1994 quando o rabisquei pela primeira vez no papel.

Não posso dizer que seja fácil ou difícil, apenas foi assim. Este personagem não surgiu sem propósitos em minha cabeça. Hoje percebo que, de certa forma, ele serviu como um filtro de personalidade. Nele depositei muita coisa que passei por vida. Com ele guardei meu passado e meu presente, assim como meu desejo de futuro, meus ideais e meus princípios.

Deixando clara a importância deste ser para mim, sinto-me livre para falar então do olho. Aprendi a desenhar com meu pai em muitos sentidos. No inicio, quando ele era vivo e eu tentava acompanhá-lo durante seu projetos, era meu ídolo. E depois que o perdi, além das lembranças, tive seus quadros desenhados a grafite integral em papel casca de ovo. Sua precisão e detalhes são impressionantes – não é por ser meu pai – diga-se de passagem. Ele teve um carinho todo especial pelo rosto, pela expressão facial, pelo OLHO. Desta forma o desenho do olho se tornou um vicio instintivo no meu traço. É um olho que eu rabisco num papel qualquer quando estou ao telefone, é um olho que minha mão faz automaticamente no canto de um caderno enquanto presto atenção em outra coisa. O olho, com seu significado mágico de Ver, de mostrar, de tornar claro, sempre me fascinará. E herdando este vicio plástico de meu progenitor não poderia deixar de valorizar tal parte em meus personagens, híbridos de meus devires com minha criatividade.


Olho de Lobo
Olho de força
Quem és tu que procura o que não sabes?
Quem és tu que não encontra o que conheces?

Força Lobo, segue em frente
Vai buscar teu nascer de sol
Não deixa que teu poder te torne cego
Tão somente que tuas fraquezas te tornem descrente

Uma jangada ao mar te levará longe
Uma vontade no peito te levará aonde tu quiser
Olho de esperança
Olho de Lobo

Segue em frente
Até onde a vista der

Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

Desenho tradicional, Pintura Digital

Este é um trabalho relativamente antigo, como os que postei aqui no blog anteriormente. Terminei a ilustração no dia 27 de junho de 2007, e achei interessante apresentar agora por mostrar um de meus métodos de trabalho.

Foi um desenho que passou por métodos tradicionais normais. Desenho a grafite, depois arte-final com nanquin.
Em seguida, graças ao escaner, iniciou a etapa digital do trabalho no software Photoshop.
Meu processo de colorização é bem simples. Bastam basicamente 3 camadas. A Layer do desenho escaneado ficará no meio. Acima dela teremos a Layer da cor principal, que eu coloco no modo Multiply. Desta forma toda cor que ela possuir vai respeitar a hierarquia do traço do desenho.
Como efeito adicional, eu passo o modo de camada da Layer do desenho para Screen, e adicionando uma camada abaixo desta, toda cor que eu usar lá vai interferir apenas na cor do traço do desenho. Dessa forma é possível conseguir um acabamento mais harmônico, quase como o efeito dos desenhos tradicionais da Disney, os mais recentes.
Depois de solidificar essas layers, uma vez que a colorização básica já esteja pronta, podemos adicionar mais efeitos desenhando brilhos, reforços de sombra e outras coisas que a imaginação permitir.

É basicamente isto.

Colori esta ilustração com Photoshop CS2 e com a Tablet Wacom Intuos 3, de 9x12 polegadas.

Espero que gostem


NeoEarth